segunda-feira, 8 de novembro de 2010

JORNALISMO DE RÁDIO - Mílton Jung

Admito: comecei a ler na casa do meu irmão porque conheci o Jung na redação da rádio CBN. E exatamente por trabalhar com ele, tudo ficou muito pessoal na leitura. Algumas descrições da redação, que é minha segunda casa, mexeram mais com o coração que com o profissional.
Para quem procura uma obra concisa, que conte a história do rádio e do radiojornalismo brasileiro, é um prato cheio. As caixas cinzas com dicas sobre linguagem e temas relacionados ao bom jornalismo podem ser usados não só no veículo do título.
Interessante como é possível ouvir a voz do autor famoso em toda a leitura: Jung utiliza a linguagem radiofônica para falar a seu leitor, mesmo no papel.
O livro pode ser um bom começo para quem quer se iniciar na linguagem de rádio, ainda que não se aprofunde no tema como se poderia esperar do âncora do CBN São Paulo. É uma leitura tranquila, que faz querer saber mais.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A CAUDA LONGA - Chris Anderson

Comprado em outubro de 2009. Finalizado em 2 de novembro de 2010, às 20h20.

Editor da revista "Wired", Anderson estudou um fenômeno econômico que tomou força com a internet: é possível obter lucro fora dos produtos que vendem milhões de unidades. A Cauda Longa é formada por milhões de produtos que vendem pouco, mas que, se somados seus valores, acabam rendendo muito. Sai-se da necessidade de grandes hits (cabeça curta) para a ideia de que tudo o que é produzido pode ser lucrativo. 

Três forças movem a Cauda Longa, como visto na página 55 da obra:

1) Democratização da produção: qualquer pessoa pode produzir algo atualmente, as ferramentas já não estão apenas nas mãos das grandes empresas. 
2) Demorcratização da distribuição: com a internet, o que é produzido pode ser distribído facilmente, seja pelo próprio produtor ou por empresas como a Amazon, o iTunes, o eBay, por exemplo.
3) Ligação da oferta e da demanda: da mesma forma que há quem produza de tudo para todos os nichos, os consumidores passam a ter força de filtros, pois sugerem o que é bom e o que não é e excluem o que não presta. 

A dúvida que fica é quando se diz que, com a internet, a distribuição é sempre muito barata, pois tudo não passa de mover alguns bits. Quem move bits são seres humanos e para eles existirem, continua a existir a necessidade de forças criadoras e de quem coloque a logística para funcionar. Portanto, dizer que tudo sai de graça pode ser bastante perigoso.


OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO COMO EXTENSÕES DO HOMEM - Marshall McLuhan

Comprado em 23 de julho de 2007. Finalizado em 23 de março de 2010, às 21h12.

McLuhan entende qualquer tipo de tecnologia como extensão do corpo humano, algo criado para facilitar a comunicação com outros de nossa espécie, para diminuir as barreiras entre quem somos e o que precisamos. Os meios de comunicação eletrônicos, especificamente, fariam com que a rapidez chegasse à informação e diminuísse o mundo. Foi o primeiro a usar o termo aldeia tribal para o mundo, exatamente quando falou de rádio e TV. Previu o que seria o mundo com a internet, ainda que, quando escreveu, ela ainda fosse demorar cinco anos para existir (a obra é de 1964). 

A tradução do título, aliás, é no mínimo, malfeita. "Understanding media" é bem mais do que entender meios de COMUNICAÇÃO. Uma colher pode ser um meio, é uma tecnologia, criada para facilitar o ato de comer e poupar dedos e mãos de tocar a comida, por exemplo.

Exige releitura, pois traz conceitos pesados, herméticos.